Agronegócio

Soja: Com disparada do dólar, preços voltam a subir nos portos e chegam a R$ 76 em Paranaguá

Os preços da soja voltaram a recuar na sessão desta quinta-feira (23) na Bolsa de Chicago confirmando a volatilidade que ainda permeia os negócios no mercado futuro americano. Depois de abrir o dia em campo positivo, os futuros da oleaginosa recuavam entre mais de 10 pontos entre os principais contratos, por volta das 13h (horário de Brasília), e o único que mantinha o patamar dos US$ 10,00 por bushel era o agosto, que era cotado a US$ 10,10.
Campo-Soja-Dolares-FDG
Ao mesmo tempo, porém, o dólar disparava no Brasil, subia quase 2% e se aproximava de R$ 3,30, o que motivou novas altas para os preços da soja nos portos do país. Em Paranaguá, a cotação para a safra nova e para o produto disponível bateram em R$ 76,00 na tarde desta quinta-feira, registrando ganhos de 2,7% e 1,88%, respectivamente. Em Rio Grande, o mesmo aconteceu com os valores subindo para R$ 77,70 por saca e altas de 0,39% e 0,52% em relação ao fechamento desta quarta-feira (22).

Dólar
O forte avanço do dólar nesta sessão, segundo explicam especialistas, veio em seguida do corte na meta fiscal por parte do governo federal, o que acabou por fortalecer ainda mais a possibilidade de o Brasil perder seu grau de investimento a ser divulgado nos próximos dias por parte das agências de classificação de risco.

“Essa alta do dólar já era esperada em função do que o governo fez ontem com os cortes nas metas fiscais para 2015 e 2016. Porém, podemos ter novas altas com divulgação do relatório da Moody´s. Lembrando que o Federal Reserve (o banco central americano) pode elevar os juros dos EUA ainda este ano (o que também poderia elevar ainda mais o dólar). Tudo leva para um viés altista para o dólar até o final deste ano”, diz Márcio Genciano, consultor de mercado da MGS Rural.

Para alguns operadores ouvidos pelas agências de notícias, as derrotas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, podem ser absorvidas como uma possibilidade de sua saída do governo. Caso isso se confirme, a moeda americana poderia buscar patamares ainda mais elevados.

Bolsa de Chicago
O clima incerto nos Estados Unidos é, nesse momento, o principal combustível para essa instabilidade das cotações, segundo explicam analistas. Apesar de as previsões de mais longo prazo indicarem condições mais favoráveis para o desenvolvimento da nova safra norte-americana, os próximos dias ainda serão de clima muito úmido no Corn Belt.

Até sexta-feira (23), tempestades severas deverão ser registradas em estados como Dakota do Norte, Iowa e Minnesota, enquanto nas demais áreas do Meio-Oeste o clima já se mostra um pouco mais seco ou com chuvas leves, segundo informa o site internacional Farm Futures. “O verão não deverá trazer muitas ameaças climáticas para a soja e o milho”, acredita o analista de mercado e editor do portal, Bob Burgdorfer.

A previsão para os próximos sete dias, do NOAA – departamento oficial de clima do governo dos EUA – mostra mais chuvas para Iowa e Illinois e acumulados menores para Indiana e Ohio. Já no período dos próximos 6 a 10 dias, ainda são esperadas chuvas acima do normal no oeste do Meio-Oeste e clima mais quente em toda a porção leste do país.
FONTE: Notícias Agrícolas

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