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“Não consigo ver esse Dólar de R$ 5”, diz Alexandre Cabral

Real depende de 3 fatores, aponta economista da NeoValue Investimentos

Uma das principais referências do setor no Brasil, o economista Alexandre Cabral (da NeoValue Investimentos) aponta três fatores que serão determinantes para a cotação do Real frente ao Dólar nos próximos meses. Em entrevista exclusiva ao Portal Agrolink, ele projeta cenários e possibilidades que podem levar a moeda norte-americana, no final do ano, tanto a cair para R$ 3,80 “no melhor dos casos” como atingir R$ 4,50 “se tudo der errado”.

“Não consigo ver esse Dólar de R$ 5, como há pessoas falando. Acredito mais em R$ 4,50. Posso estar errado, mas seria minha previsão hoje. Nós temos três grandes cenários, que dependendo dessa combinação o Real vai valorizar”, elenca o especialista.

Primeiro: “Se o FED (Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos) não subir sua taxa básica de juros esse ano, a tendência é de que o Real valorize. A minha opinião é de que não sobe, porque se isso acontecer ele estraga o mundo. Mas pensando mais na economia americana, faz sentido ele subir mais no final do ano. Então é difícil saber o que passa na cabeça deles”, diz Cabral.

Segundo: “A eterna briga de Dilma com o Congresso. Se a proposta de CPMF que ela jogou na terça-feira (22.09) à noite for barrada nos próximos dias, o Real desvaloriza. Se não barrar, valoriza”, projeta o economista da NeoValue Investimentos.

Terceiro: O fator Fitch Ratings – “A Fitch está em Brasília desde segunda-feira, e se reuniu com várias pessoas do Ministério da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central. Se essa agência rebaixar o Brasil (em grau de investimento), o Dólar vai para R$ 4,50. Se não rebaixar, ele pode vir para R$ 3,80”, projeta.

“Qual é o problema do Banco Central nessa história? É que nenhum dos três fatores ele consegue controlar de forma direta. Porque o FED não tem nada a ver com o BC, o Congresso não tem nada a ver com o BC e a Fitch também. Hoje o Brasil tentou vender quatro bilhões de Dólares, e o Dólar fechou quase na máxima histórica. Porque esse problema não é do Banco Central, ele está de mãos atadas”, ressalta Cabral.

O especialista explica como é precificado o Dólar futuro em um banco ou uma agência de câmbio: “Em linguagem simples, sem tecnicidade, o mercado vê em quanto está sendo negociado o Dólar hoje, multiplica esse valor pela taxa de juros brasileira e divide pela taxa em Dólar (externa)”.

Agrolink
Autor: Leonardo Gottems

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