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Produção de soja promete novo recorde

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Em 2014, a produção de soja foi recorde no Brasil e o país manteve o posto de maior exportador mundial da oleaginosa. A perspectiva de produtividade para a próxima safra é positiva, mas os preços, que recuaram neste ano com o excesso de oferta mundial, podem continuar baixos em 2015.

A colheita começa em janeiro e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a próxima safra bata outro recorde no país, com mais de 95 milhões de toneladas e crescimento de 11%. Sojicultores que amargaram perdas com a falta de chuva na safra passada, esperam que o clima colabore com a produção em 2015.

– A gente está apostando tudo e mais um pouco nesta safra. Porque a gente já vem de dois anos de safra mediana para ruim, então esta safra será a salvação da lavoura, né. Tomara que a chuva não falte, que a gente consiga controlar as pragas e as doenças. Tudo vai dar certo – torce o produtor da Bahia Franco Bosa

A safra de soja colhida em 2014 teve crescimento de 5% da produção. Foram mais de 86,1 milhões de toneladas. Recorde também no valor e na quantidade exportada. De janeiro a novembro foram enviadas 45,5 milhões de toneladas de soja em grão ou farelo, o que é 7% mais que no ano passado. A receita foi de US$ 23,2 milhões de dólares, crescimento de 2%. Apesar da alta do valor obtido com as exportações, o preço médio da soja em grão em 2014 foi 4,4% menor que em 2013. Já o preço do farelo de soja subiu 1,5%. Os Estados Unidos também colheram safra recorde em 2014, com a produção de aproximadamente 107,7 milhões de toneladas.

– Infelizmente, não foi um dos melhores anos, tivemos problemas consideráveis no momento da colheita, excesso de chuva. No decorrer do ano, tivemos uma queda considerável nos preços. Temos um plantio bastante complicado agora na safra 2014/2015 também, altos custos já assimilados pelo produtor, em um cenário de preços baixos. Tivemos problemas climáticos também no plantio, agora recentemente, com deslocamento de um mês na melhor janela de plantio, muitos problemas de germinação, de implantação das lavouras. Infelizmente o quadro não é dos mais animadores, o produtor é bastante empenhado no seu trabalho, mas nem a natureza, nem o mercado têm ajudado muito ultimamente – avalia o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Brasil (Aprosoja Brasil), Ricardo Tomczyk.
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O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, diz que, apesar das chuvas que de certa forma prejudicaram a performance final, a produção de 86 milhões de toneladas nesta safra de 2014 é um número “bastante digno”.

– Os números foram um pouco prejudicados, claro, pelo preço que caiu pela oferta maior mundial do produto. Estados Unidos e Argentina, nossos concorrentes mais diretos em diferentes épocas do ano, tiveram volumes expressivos também. Essa coincidência fez com que as ofertas fossem bastante expressivas e, obviamente, este é um fenômeno natural em commodity agrícola, particularmente na soja. Os preços caíram sensivelmente, mas ainda estão em um patamar interessante, o produtor ainda está capitalizado, e está investindo em suas propriedades, em tecnologia. Eu acredito que nós venhamos a ter uma situação um pouco melhor no ano que vem – projeta Lovatelli.

Na safra passada, as lagartas do cartucho e a Helicoverpa armígera foram as principais pragas que atacaram a cultura. Para a próxima colheita, o atraso no plantio por causa da falta de chuva em setembro e outubro deve trazer consequências.

– O problema de atraso, que pode impactar a colheita da soja e o milho, é mais no Centro­Oeste mesmo. Mato Grosso, lá que o efeito pode ser maior, sem contar em uma perda de produtividade em todas as regiões do Brasil – aponta a analista de mercado Amaryllis Romano.

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros que vinham sendo negociados na faixa de US$ 13 o bushel no início do ano, caíram para a casa dos US$ 10 no decorrer de 2014.

– O ano de 2015, possivelmente pode ser um ano um pouco diferente dos outros três, quatro anos que a gente teve, porque em termos de preços internacionais a gente está com as menores cotações dos últimos quatro, cinco anos, por conta da grande produção que a gente teve nos Estados Unidos. Fazia muito tempo que os Estados Unidos não tinham um excesso de oferta e um estoque final projetado tão alto, isso derrubou os preços internacionais, consequentemente a receita para 2015 do produtor deve ser menor, mas ainda assim rentável, com margem. Porém, é uma safra um pouco mais perigosa. Os custos de produção continuam altos, ainda não caíram, mas com uma receita menor por conta do preço internacional mais baixo da soja – considera o consultor de mercado Glauco Monte.

Se por um lado os preços caem, por outro, os sojicultores vêm investindo em biotecnologias que podem incrementar a produção. O uso de soja transgênica aumentou 5% neste ano e já abrange mais de 90% da área de cultivo de soja no país. A Conab estima aumento de 6% em produtividade nas lavouras, com três toneladas de soja produzidas por hectare, em média, na próxima safra.

– Ano passado colhemos 72 sacas por hectare, foi a melhor média que já obtive. Mas o agricultor sempre quer bater o próprio recorde. Se errou alguma coisa no ano passado, tenta corrigir neste ano – finaliza o produtor paranaense Gion Carlos Gobbi.

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