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Tratamento industrial de sementes: situação atual e perspectivas

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Tratamento industrial de sementes: situação atual e perspectivas
Por: Folha de Dourados

Por José Otavio Menten, Diretor Financeiro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Vice-Presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia, Pós-Doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia, Professor Associado da ESALQ/USP.

Tratamento industrial de sementes (TSI) é a evolução do tratamento «on farm», realizado pelo agricultor, geralmente antes da semeadura. É o processo realizado em Centros de Tratamentos de Sementes (CTS) ou Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS), em escala industrial, que utiliza equipamentos adequados, produtos eficientes e é executado por profissionais especializados. Este procedimento contribui para o aprimoramento do tratamento, protegendo a saúde dos aplicadores e o ambiente, e disponibilizando sementes com a adesão adequada dos produtos incorporados. Considera-se que apresenta avanços em qualidade e segurança.

Estes avanços acompanharam o aumento da utilização de sementes tratadas pelos agricultores no Brasil. Atualmente, a utilização de sementes tratadas é muito frequente em milho, soja, algodão, cereais, feijão, hortaliças etc. Trata-se de uma das tecnologias que mais avançou nos últimos anos, contribuindo para o aumento dos rendimentos na produção de grãos no Brasil. As sementes tratadas em CTS são, cada vez mais comuns, graças à percepção dos usuários de suas vantagens, tanto do ponto de vista agronômico, como ambiental e social. O processo vem sendo utilizados por cerca de 100 empresas sementeiras e 150 unidades de tratamento no Brasil.

Como se trata de procedimento recente está em evolução e enfrenta diversos desafios; entre estes, destaca-se a necessidade de estimativa da demanda, pois o tratamento é antecipado e sementes tratadas não comercializadas constituem-se em passivo ambiental, exigindo descarte adequado. Por ser tecnologia recente, também há necessidade de serem disponibilizados marcos regulatórios atualizados. As legislações em vigência no Brasil são baseadas em sementes não tratadas. Existem poucas referencias a sementes tratadas e/ou revestidas/recobertas, sendo necessário, inclusive, definir claramente os termos para facilitar/uniformizar a comunicação. Há necessidade de consenso sobre entendimentos como peliculização (quando não há alteração da forma e tamanho das sementes) e incrustação e peletização (quando há alterações de intensidades crescentes no tamanho das unidades de semeadura).

A manipulação de sementes tratadas é, portanto, cada vez mais comum nos laboratórios de análise. Os procedimentos adotados atualmente são baseados em experiências com sementes não tratadas. Assim, há necessidade de adequações urgentes, referentes à utilização de luvas nitrílicas, respiradores, viseiras/óculos etc. Os laboratórios devem dispor de eficientes sistemas de exaustão, locais específicos para descarte de materiais contaminados, cuidados especiais na limpeza, incluindo uso de detergentes e reservatórios para água contaminada, locais segregados para armazenamento de amostras de sementes tratadas etc.

Os procedimentos de análise de pureza varietal e física e aspectos fisiológicos e sanitários também devem ser ajustados. Todos os procedimentos descritos nas RAS (Regras para Análise de Sementes) são baseados em sementes não tratadas. O preparo das amostras através da utilização de divisores centrífugos ou de solo vai exigir rigorosa limpeza devido à contaminação com produtos diferentes. Dificuldades na visualização das sementes tratadas ou de pelotas, alterações no substrato nos testes de germinação, com a adição de areia ou solo e/ou vermiculita ao papel de germinação, adequações nos testes de primeira contagem da germinação, envelhecimento acelerado, condutividade elétrica, comprimento e massa de plântulas, tetrazólio etc., são necessários. Importante definir se a incubação por três dias adicionais nos testes de sanidade são adequados para detecção de patógenos associados a sementes; deve-se considerar que existem fungicidas que inibem o crescimento micelial, a germinação dos esporos ou a esporulação, portanto com consequências diferentes quando se utilizam testes biológicos ou moleculares/serológicos para detecção e identificação de patógenos. É fundamental lembrar que os testes laboratoriais devem refletir o comportamento das sementes no campo.

Atenção especial deve ser dada ao descarte de materiais utilizados nas análises de sementes tratadas e nas sobras de sementes tratadas e das caldas de tratamentos. Os materiais de laboratório que tiveram contato com sementes tratadas devem ter destino diferente dos normais: incineração, disposição em aterros apropriados ou fornos de cimenteiras. Existem estudos visando a utilização da compostagem para dar destino adequado a sementes tratadas descartadas nos laboratórios.

Existem diversos fatores que interferem na eficiência do tratamento industrial de sementes. Destacam-se a características das sementes (formato, tamanho, pilosidade ou cerosidade da superfície, cor etc.), da calda (ingredientes ativos, formulações, concentrações, pH, etc.) e equipamentos (batelada ou fluxo continuo) e suas interações). As sementes tratadas devem ser avaliadas quanto a plantabilidade (porcentagem de falhas e duplas), resistência a abrasão, fluidez, distribuição de ingredientes ativos e liberação de poeira. Os aparelhos para realizar estes testes estão em desenvolvimento e aferição. Há necessidade de definir como os resultados devem ser expressos e interpretados.

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